segunda-feira, 4 de junho de 2012

Harry Potter e o Cálice de Fogo - Capítulo 10




— CAPÍTULO DEZ —
Caos no Ministério



O SR. WEASLEY ACORDOU OS GAROTOS após algumas horas de sono. Usou magia para fechar e dobrar as barracas, e o grupo deixou o acampamento o mais depressa que pôde, passando pelo Sr. Roberts à porta da casa. O homem tinha um estranho olhar vidrado e acenou se despedindo com um vago “Feliz Natal”.
— Ele vai ficar bom — disse o Sr. Weasley baixinho, quando começaram a atravessar a charneca — Às vezes, quando a memória de uma pessoa é alterada, ela fica um pouco desorientada durante algum tempo... e precisaram fazê-lo esquecer muita coisa.
Eles ouviram vozes ansiosas quando se aproximaram do lugar onde estava a chave do portal e, ao chegarem, encontraram numerosos bruxos e bruxas reunidos em torno de Basílio, o guardador das chaves dos portais, todos exigindo, em altos brados, partir do acampamento o mais rápido possível. O Sr. Weasley teve uma discussão com Basílio, eles entraram na fila e conseguiram tomar um velho pneu de volta ao Monte Stoatshead antes do sol realmente nascer.
Voltaram caminhando por dentro de Ottery St. Catchpole, em direção À Toca, à claridade da alvorada, falando muito pouco porque estavam demasiado exaustos e ansiosos pelo café da manhã que iriam tomar.
Ao virarem para a estrada de casa e avistarem À Toca, um grito ecoou pela estrada úmida.
— Ah, graças a Deus, graças a Deus!
A Sra. Weasley, que evidentemente estivera à espera diante da casa, veio correndo ao encontro deles, ainda usando chinelos, o rosto pálido e tenso, um exemplar amassado do Profeta Diário amarrotado na mão.
— Arthur... eu estava tão preocupada... tão preocupada...
Ela se atirou ao pescoço do marido e o Profeta Diário caiu de sua mão frouxa no chão. Baixando os olhos, Harry leu a manchete: CENAS DE TERROR NA COPA MUNDIAL DE QUADRIBOL, completada com uma foto em preto e branco da Marca Negra cintilando sobre as copas das árvores.
— Vocês estão bem — murmurou a Sra. Weasley distraída, largando o marido e olhando para os garotos com os olhos vermelhos — Vocês estão vivos... ah, meninos...
E para surpresa de todos, agarrou Fred e Jorge e puxou os dois para um abraço tão apertado que as cabeças dos garotos se chocaram.
— Ai! Mamãe, você está estrangulando a gente...
— Gritei com vocês antes de irem embora! — disse a mãe, começando a soluçar — É só nisso que estive pensando! E se Você-Sabe-Quem tivesse pegado vocês, e a última coisa que disse aos dois foi que não obtiveram suficientes N.O.M’s? Ah, Fred... Jorge...
— Ora vamos, Molly, estamos todos perfeitamente bem — disse o Sr. Weasley acalmando-a, desvencilhando-a dos gêmeos e levando-a em direção à casa — Gui — murmurou ele em voz mais baixa — Apanhe esse jornal, quero ver o que diz...
Quando já estavam todos apertados na pequena cozinha e Hermione preparara uma xícara de chá forte para a Sra. Weasley, no qual o marido insistira em acrescentar uma dose de uísque, Gui entregou o jornal ao pai. O Sr. Weasley examinou a primeira página enquanto Percy espiava por cima do seu ombro.
— Eu sabia — disse o Sr. Weasley deprimido — Ministério erra... responsáveis livres... segurança ineficaz... Bruxos das trevas correm desenfreados... desgraça nacional... quem escreveu isso? Ah... só podia ser... Rita Skeeter.
— Essa mulher vive implicando com o Ministério da Magia! — reclamou Percy, furioso — Semana passada ela disse que estávamos perdendo tempo discutindo a espessura dos caldeirões, quando devíamos estar acabando com os vampiros! Como se isso não estivesse explícito no parágrafo doze das Diretrizes para o Tratamento dos Semi-Humanos Não-bruxos...
— Faz um favor à gente, Percy — disse Gui bocejando — Cala a boca.
— Falaram de mim — disse o Sr. Weasley, arregalando os olhos por trás dos óculos ao chegar ao fim do artigo no Profeta Diário.
— Onde? — perguntou num atropelo a Sra. Weasley, engasgando-se com o chá batizado com uísque — Se eu tivesse visto isso, saberia que você estava vivo!
— Não dizem o meu nome — explicou o Sr. Weasley — Escute isso:

Se os bruxos e as bruxas aterrorizados que prendiam a respiração à espera de notícias na orla da floresta queriam ouvir do Ministério da Magia uma palavra que os tranqüilizasse foram lamentavelmente desapontados.
Um funcionário do Ministério saiu da floresta uns minutos depois do aparecimento da Marca Negra, dizendo que não havia ninguém ferido, mas recusando-se a dar maiores informações.
Resta ver se tal declaração será suficiente para abafar os boatos de que vários corpos foram retirados da floresta uma hora mais tarde.

— Ah, francamente — disse o Sr. Weasley, exasperado, entregando o jornal a Percy — Ninguém ficou ferido mesmo, que é que eu deveria dizer? Boatos de que vários corpos foram retirados da floresta... ora, agora é que vai haver boatos depois de ela publicar isso.
Ele soltou um profundo suspiro.
— Molly, vou ter que ir ao escritório, isso vai dar um certo trabalho para consertar.
— Eu vou com você, pai — disse Percy cheio de importância — O Sr. Crouch vai precisar de toda a tripulação a bordo. E aproveito para entregar a ele o meu relatório sobre os caldeirões, pessoalmente.
O rapaz saiu apressado da cozinha.
A Sra. Weasley pareceu muito aborrecida.
— Arthur, você está de férias! Isso não tem nada a ver com o seu trabalho, com certeza eles podem resolver o caso sem você, não?
— Tenho que ir, Molly — disse o Sr. Weasley — Piorei as coisas com a minha declaração. Vou trocar de roupa um instante e vou...
— Sra. Weasley — disse Harry de repente, incapaz de se conter — Edwiges não chegou com uma carta para mim?
— Edwiges, querido? — disse a Sra. Weasley distraída — Não... não, não chegou nenhum correio.
Rony e Hermione olharam, curiosos, para Harry. Com um olhar expressivo para ambos ele disse:
— Tudo bem se eu for deixar minhas coisas no seu quarto, Rony?
— Claro... acho que eu também vou — respondeu Rony na mesma hora — Mione?
— Vou — disse ela depressa, e os três saíram decididos da cozinha e subiram as escadas.

* * *

— Que é que está acontecendo, Harry? — perguntou Rony, depois de fecharem a porta do sótão atrás deles.
— Tem uma coisa que não contei a vocês — disse Harry — No Domingo de manhã, acordei com a minha cicatriz doendo outra vez.
As reações de Rony e Hermione foram quase exatamente as que Harry imaginara em seu quarto na Rua dos Alfeneiros. Hermione prendeu a respiração e começou a dar sugestões na mesma hora, mencionando vários livros de referência e diversas pessoas desde Alvo Dumbledore a Madame Pomfrey, a enfermeira de Hogwarts.
Rony simplesmente fez cara de espanto.
— Mas ele não estava lá, estava? Você-Sabe-Quem? Quero dizer, da última vez que sua cicatriz ficou doendo, ele esteve em Hogwarts, não foi?
— Tenho certeza de que ele não estava na Rua dos Alfeneiros — falou Harry — Mas sonhei com ele... com ele e Pedro, sabe, Rabicho. Não me lembro do sonho todo agora, mas eles estavam planejando... matar alguém.
Hesitara por um momento quase dizendo “me matar”, mas não teve coragem de fazer Hermione ficar mais horrorizada do que já estava.
— Foi só um sonho — disse Rony tranquilizando o amigo — Só um pesadelo.
— É, mas será que foi mesmo? — disse Harry, virando-se para espiar, pela janela, o céu que clareava — É esquisito, não é... minha cicatriz dói e três dias depois os Comensais da Morte se manifestam e o sinal de Voldemort volta a aparecer no céu.
— Não... diz... o nome... dele! — sibilou Rony entre dentes.
— E lembra o que foi que a Professora Trelawney disse? — continuou Harry, sem dar atenção a Rony — No fim do ano passado?
A Professora Trelawney era a professora de Adivinhação dos garotos em Hogwarts. A expressão aterrorizada de Hermione desapareceu substituída por uma risadinha de desdém.
— Ah, você não vai prestar atenção ao que aquela velha charlatã diz, vai?
— Você não estava lá — respondeu Harry — Dessa vez foi diferente. Eu contei a você, ela entrou em transe, de verdade. E disse que o Lorde das Trevas se reergueria... maior e mais terrível que nunca... e que teria sucesso porque seu servo ia voltar para ele... e naquela noite Rabicho fugiu.
Seguiu-se um silêncio, em que Rony ficou brincando distraidamente com um furo em sua colcha dos Chudley Cannons.
— Por que você estava perguntando se Edwiges tinha chegado, Harry? — perguntou Hermione — Você está esperando uma carta?
— Contei ao Sirius sobre a minha cicatriz — disse Harry, encolhendo os ombros — Estou esperando a resposta.
— Bem pensado! — exclamou Rony, desanuviando a expressão — Aposto que Sirius sabe o que fazer!
— Eu esperava que ele me respondesse logo — disse Harry.
— Mas nós não sabemos onde Sirius está... talvez esteja na África ou em outro continente, não é? — ponderou Hermione — Edwiges não poderia fazer uma viagem dessas em poucos dias.
— É, eu sei — disse Harry, mas teve uma sensação de peso no estômago ao olhar o céu sem nem sinal de Edwiges.
— Vamos jogar uma partida de Quadribol no pomar, Harry — sugeriu Rony — Vamos, uma melhor de três, Gui, Carlinhos, Fred e Jorge jogarão... você pode experimentar a Finta de Wronski...
— Rony — disse Hermione, num tom de quem diz eu-não-acho-que-você-esteja-sendo-muito-sensível — Harry não quer jogar Quadribol agora... está preocupado e cansado... nós todos precisamos dormir...
— Ah, quero jogar Quadribol — disse Harry subitamente — Güenta aí, vou pegar a minha Firebolt.
Hermione saiu do quarto resmungando alguma coisa com o som de “Meninos”.

* * *

Nem o Sr. Weasley nem Percy pararam muito em casa na semana seguinte. Os dois saíam toda manhã antes do resto da família se levantar e só voltavam bem depois do jantar.
— Tem sido um absoluto tumulto — contou Percy a todos, cheio de importância, no Domingo à noite, véspera dos garotos regressarem a Hogwarts — Estive apagando incêndios a semana inteira. As pessoas não param de mandar berradores e, é claro, se a gente não abre um berrador na mesma hora ele explode. Tem marcas de queimadura por toda a minha mesa e a minha melhor pena ficou reduzida a cinzas.
— Por que é que estão mandando berradores? — perguntou Gina, que se ocupava em remendar com fita adesiva o seu exemplar de Mil Ervas e Fungos Mágicos, sentada no tapete diante da lareira da sala de estar.
— Para se queixarem da falta de segurança na Copa Mundial — disse Percy — Querem compensação pelos prejuízos. Mundungo Fletcher entrou com um pedido de compensação pela perda de uma barraca de doze suítes com banheira jacuzzi, mas eu saquei logo qual era a dele. Sei sem a menor dúvida que ele estava dormindo embaixo de uma capa estendida por cima de paus.
A Sra. Weasley olhou para o relógio de carrilhão a um canto da sala. Harry gostava desse relógio. Era completamente inútil se alguém queria saber as horas, mas para outras coisas era muito informativo. Tinha nove ponteiros dourados e em cada um estava gravado o nome de um Weasley. Não havia números no mostrador, mas o local onde cada membro da família poderia estar. Havia “casa”, “escola” e “trabalho”, mas também “perdido”, “hospital”, “prisão” e, na posição em que estaria o número doze em um relógio normal, “perigo mortal”.
Oito dos ponteiros indicavam “casa”, mas o do Sr. Weasley, que era o mais comprido, ainda apontava para “trabalho”.
A Sra. Weasley suspirou.
— O seu pai não precisa ir ao escritório num fim de semana desde o tempo de Você-Sabe-Quem — disse ela — Estão obrigando-o a trabalhar demais. O jantar dele vai estragar se demorar muito mais a chegar em casa.
— Papai acha que precisa compensar o erro que fez no jogo, não é? — disse Percy — Verdade seja dita, foi meio imprudente ele fazer uma declaração à imprensa sem antes pedir autorização ao chefe do departamento...
— Não se atreva a culpar o seu pai pelo que aquela infeliz da Skeeter escreveu! — disse a Sra. Weasley, irritando-se na hora.
— Se papai não tivesse dito nada, a Rita teria escrito que era lamentável que ninguém do Ministério tivesse comentado nada — disse Gui, que estava jogando xadrez com Rony — Rita Skeeter nunca pinta ninguém de anjo. Estão lembrados da vez que ela entrevistou todos os desfazedores de feitiços do Gringotes e me chamou de frangote de cabelo comprido?
— Bom, está um pouco comprido, querido — disse a Sra. Weasley carinhosamente — Se você me deixasse...
— Não, mamãe.
A chuva açoitava a janela da sala de estar. Hermione lia, absorta, o Livro Padrão de Feitiços, 4ª Série, que a Sra. Weasley comprara para ela, Harry e Rony no Beco Diagonal. Carlinhos cerzia um gorro à prova de fogo. Harry dava polimento na Firebolt, com o Estojo para Manutenção de Vassouras que Hermione lhe dera no décimo terceiro aniversário aberto aos seus pés. Fred e Jorge estavam sentados no canto mais afastado, de penas na mão, conversando aos cochichos, as cabeças curvadas sobre um pedaço de pergaminho.
— Que é que vocês dois estão aprontando? — perguntou a Sra. Weasley rispidamente, os olhos nos gêmeos.
— Dever de casa — disse Fred vagamente.
— Não seja ridículo, vocês ainda estão de férias — disse a mãe.
— Deixamos este para depois — disse Jorge.
— Por acaso vocês não estão preparando um novo formulário, estão? — perguntou a Sra. Weasley perspicaz — Por acaso não estariam pensando em recomeçar as “Gemialidades” Weasley?
— Ora, mamãe — disse Jorge erguendo os olhos para a mãe, uma expressão mortificada no rosto — Se o Expresso de Hogwarts bater amanhã e Jorge e eu morrermos, como é que você iria se sentir sabendo que a última coisa que ouvimos de você foi uma acusação sem fundamento?
Todos riram, até mesmo a Sra. Weasley.
— Ah, seu pai está chegando! — disse ela de repente, olhando mais uma vez para o relógio.
O ponteiro do Sr. Weasley de repente girou de “trabalho” para “viagem”, um segundo depois parou estremecendo em casa junto aos demais, e todos o ouviram chamar da cozinha.
— Estou indo, Arthur! — respondeu a mulher, saindo correndo da sala.
Mais alguns minutos e o Sr. Weasley entrava na sala aquecida, trazendo o jantar numa bandeja. Parecia completamente exausto.
— Bom, agora a coisa está realmente pegando fogo — comentou ele com a Sra. Weasley, sentando-se numa poltrona junto à lareira e brincando desanimado com uma porção murcha de couve-flor — Rita Skeeter andou fuçando a semana inteira, procurando mais bobagens ministeriais para denunciar. E agora descobriu que a coitada da velha Berta está desaparecida, então isso vai ser a manchete de amanhã no Profeta. Eu disse a Bagman que ele devia ter mandado alguém procurá-la há séculos.
— O Sr. Crouch vem dizendo isso há semanas seguidas — disse Percy depressa.
— Crouch tem muita sorte de Rita não ter descoberto nada sobre a Winky — retrucou o Sr. Weasley irritado — Haveria uma semana de manchetes com a história do elfo doméstico, dele ter sido apanhado segurando a varinha que conjurou a Marca Negra.
— Acho que todos concordamos que o elfo, embora irresponsável, não conjurou a Marca? — disse Percy inflamado.
— Se você quer saber, o Sr. Crouch tem muita sorte que ninguém no Profeta Diário saiba como ele é ruim para os elfos! — disse Hermione zangada.
— Agora, olha aqui, Hermione! — retrucou Percy — Um funcionário de primeiro escalão no Ministério como o Sr. Crouch merece obediência cega dos seus criados.
— Dos seus escravos, você quer dizer! — falou Hermione com a voz muito aguda — Porque ele não pagava salário a Winky, não é mesmo?
— Acho melhor vocês todos subirem e verificarem se fizeram as malas direito! — disse a Sra. Weasley, interrompendo a discussão — Andem logo, vamos, todos vocês...
Harry fechou o estojo de manutenção, pôs a Firebolt ao ombro e subiu com Rony. A chuva parecia ainda mais forte no último andar da casa, e vinha acompanhada por assobios e gemidos do vento, para não falar nos uivos ocasionais do vampiro que vivia no sótão.
Pichitinho começou a piar e a voar dentro da gaiola quando eles entraram. A visão dos malões quase prontos o deixara num frenesi de excitação.
— Arrolha ele com um pouco desses petiscos para corujas — disse Rony atirando um pacote para Harry — Quem sabe ele cala o bico.
Harry enfiou alguns petiscos pelas grades da gaiola, depois voltou sua atenção para o malão. A gaiola de Edwiges estava do lado, ainda vazia.
— Já faz mais de uma semana — disse Harry, contemplando o poleiro deserto de Edwiges — Rony, você acha que Sirius foi capturado?
— Nããão! Teria saído no Profeta Diário — protestou Rony — O Ministério iria querer mostrar que capturou alguém, não acha?
— É, acho...
— Olha, toma aqui o material que mamãe comprou para você no Beco Diagonal. E ela tirou um pouco de ouro do seu cofre para você... e lavou todas as suas meias.
Rony carregou uma pilha de coisas para a cama de armar de Harry e largou uma bolsa de dinheiro e um monte de meias do lado.
O garoto começou a desembrulhar as compras. Além do Livro Padrão de Feitiços, 4ª série, de Miranda Goshawk, ele tinha agora um punhado de penas novas, doze rolos de pergaminho e ingredientes para o seu estojo de poções, os estoques de espinha de peixe-leão e essência de beladona estavam quase no fim. Começou a empilhar a roupa íntima dentro do caldeirão quando Rony soltou uma exclamação de desagrado às costas dele.
— Que vem a ser isso?
Ele estava segurando uma coisa que pareceu a Harry uma longa veste de veludo marrom. Tinha um babado de renda de aspecto mofado no decote e punhos de renda iguais.
Os garotos ouviram uma batida na porta e a Sra. Weasley entrou, trazendo uma braçada de vestes de Hogwarts recém lavadas.
— Tomem aqui — disse ela, dividindo a braçada ao meio — Agora vejam se guardam tudo na mala direito para não amarrotar.
— Mamãe, você me deu a roupa nova da Gina — disse Rony devolvendo a veste marrom à mãe.
— Claro que não, é para você. Vestes a rigor!
— Quê?— exclamou Rony, horrorizado.
— Vestes a rigor! — repetiu a Sra. Weasley — Está na sua lista de material que este ano você deverá levar vestes a rigor... vestes para ocasiões formais.
— A senhora tem que estar brincando — exclamou Rony incrédulo — Eu não vou usar isso, nem pensar.
— Todo mundo usa, Rony! — disse a Sra. Weasley aborrecida — E são todas assim! Seu pai também tem uma para festas elegantes!
— Saio pelado, mas não visto uma coisa dessas — teimou Rony.
— Não seja bobo. Você precisa de vestes a rigor, estão na sua lista! Comprei para o Harry também... mostre a ele, Harry...
Com uma certa apreensão Harry abriu o último embrulho sobre a cama. Mas não eram tão ruins quanto esperara, as vestes não tinham renda alguma, de fato, eram mais ou menos iguais às vestes da escola, só que eram verde-garrafa em vez de pretas.
— Achei que elas realçariam a cor dos seus olhos, querido — disse a Sra. Weasley afetuosamente.
— Ora, as dele são legais! — disse Rony zangado, olhando para as vestes de Harry — Por que eu não ganhei vestes como as dele?
— Por que... bom, precisei comprar as suas de segunda mão, e não havia muita escolha! — disse a Sra. Weasley corando.
Harry olhou para o outro lado. Teria dividido com os Weasley, de boa vontade, o dinheiro que havia em seu cofre no Gringotes, mas sabia que eles jamais aceitariam.
— Não vou usar isso nunca — insistiu Rony — Nunquinha.
— Ótimo — retorquiu a Sra. Weasley — Ande nu. E Harry, não se esqueça de tirar uma fotografia dele. Deus sabe que eu estou precisando de umas boas gargalhadas.
Ela saiu do quarto batendo a porta.
Os meninos ouviram um ruído engraçado de alguém cuspindo às costas deles. Era Pichitinho se engasgando com um petisco grande demais.
— Por que é que tudo que eu tenho é porcaria? — enfureceu-se Rony, atravessando o quarto para descolar o bico da coruja.










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