quinta-feira, 24 de novembro de 2011

A FANTÁSTICA FÁBRICA DE CHOCOLATE - capítulo 12





12
O QUE DIZIA O CUPOM DOURADO


Charlie irrompeu pela porta, gritando:
— Mamãe! Mamãe! Mamãe!
A Sra. Bucket estava no quarto dos velhinhos, servindo a sopa da noite.
— Mamãe! — berrou Charlie, entrando como um furacão — Olhe! É meu! Olhe, mamãe, olhe! O último Cupom Dourado! Ele é meu! Encontrei um dinheirinho na rua e comprei duas barras de chocolate e na segunda encontrei o Cupom Dourado, e as pessoas se aglomeraram a meu lado querendo ver o cupom e o vendedor me salvou e eu corri sem parar até chegar em casa e aqui estou! É O QUINTO CUPOM DOURADO, MAMÃE, E FUI EU QUEM O ENCONTROU!
A Sra. Bucket parou estatelada.
Os quatro velhinhos, que estavam sentados na cama equilibrando as tigelas de sopa no colo, largaram as colheres e caíram duros nos travesseiros.
Houve dez segundos de silêncio absoluto no quarto. Ninguém ousava se mexer ou falar. Foi um momento mágico.
Depois, bem devagar, Vovô José disse:
— Não é possível, Charlie, fale a verdade. Está brincando conosco?
— Juro que não — gritou Charlie, correndo até a cama, segurando o maravilhoso Cupom Dourado para que eles pudessem ver.
Vovô José se aproximou para ver de perto, o nariz quase encostando no cupom. Os outros ficaram esperando o veredito.
Então, devagarinho, com um sorriso suave e magnífico no rosto, Vovô José levantou a cabeça e olhou fixo para Charlie. Suas bochechas começaram a ficar coradas, seus olhos arregalados, brilhando de alegria, e, no meio de cada olho, bem no meio mesmo, na pupila preta, brilhava uma faísca de alegria.
O velhinho respirou fundo e de repente, sem qualquer aviso prévio, pareceu ter explodido por dentro. Levantou os braços e gritou:
Iupiii!
Seu corpo ossudo levantou da cama fazendo voar a tigela de sopa bem em cima da Vovó Josefina. Num salto fantástico, aquele velhote de noventa e seis anos e meio, que não saía da cama há mais de vinte anos, pulou no chão e começou a dançar, de pijama, a dança da vitória.
—  Iuuppiiiiii — ele gritava — Três vivas para Charlie! Hip! Hip! Hurra!
Nesse momento, a porta se abriu, e o Sr. Bucket entrou no quarto. Tinha varrido a neve das ruas durante todo o dia.
Nossa! — ele gritou — o que está acontecendo por aqui?
Não levou muito tempo para ele saber.
— Não acredito — ele disse — é impossível!
— Mostre o cupom para ele, Charlie — falou Vovô José, ainda dançando e girando no chão, parecendo um muçulmano de pijama listado — Mostre para seu pai o quinto e último Cupom Dourado do mundo!
— Deixe-me ver, Charlie — disse o Sr. Bucket caindo numa cadeira e estendendo as mãos. Charlie se aproximou com o precioso documento.
O Cupom Dourado era muito bonito. Parecia uma folha de ouro puro, da espessura de um papel. De um dos lados, impresso em letras pretas, vinha o convite do Sr. Wonka.
— Leia em voz alta — disse Vovô José, voltando finalmente para a cama — Vamos ver exatamente o que diz o convite.
O Sr. Bucket segurou o lindo Cupom Dourado bem perto dos olhos. Suas mãos estavam tremendo um pouco, e ele parecia meio fora de si com aquilo tudo. Respirou fundo várias vezes. Então limpou a garganta e disse:
— Está bem, vou ler. Lá vai:

“Parabéns, feliz ganhador do Cupom Dourado.
Parabéns do Sr. Willy Wonka! Meus cumprimentos! Coisas extraordinárias aguardam você! Surpresas maravilhosas o esperam! Por enquanto, gostaria que você viesse visitar minha fábrica e fosse meu convidado por um dia — você e todos os outros felizardos que encontraram o Cupom Dourado. Eu, Willy Wonka, vou conduzi-los pessoalmente pela fábrica, mostrando tudo o que há para ser visto. Depois, quando chegar a hora de ir embora, serão escoltados até suas casas por um cortejo de caminhões enormes. Prometo que esses caminhões estarão cheios de deliciosos petiscos, que durarão anos e anos, para você e toda a sua família. E, quando o estoque acabar, é só você voltar à fábrica e mostrar o Cupom Dourado. Terei o maior prazer em reabastecê-lo com tudo o que desejar. Desse modo, poderá manter seu estoque de saborosas guloseimas pelo resto da vida. Mas isso não é o mais emocionante que vai acontecer no dia de sua visita. Estou preparando outras surpresas mais maravilhosas e fantásticas ainda, para você e todos os meus queridos possuidores do Cupom Dourado — surpresas fascinantes, deliciosas, intrigantes, espantosas e incríveis! Nem nos seus sonhos mais loucos você poderá imaginar as coisas que lhe poderão acontecer! Espere para ver! Agora, as instruções: o dia que escolhi para a visita é primeiro de fevereiro. Nesse dia, e só nesse dia, você deverá comparecer aos portões da fábrica exatamente às dez horas da manhã. Não se atrase! Pode levar um ou dois membros da sua família para tomar conta de você e para garantir que não faça nenhuma travessura. Mais uma coisa — não esqueça de trazer o cupom, pois sem ele não poderá entrar.
Assinado: Willy Wonka.”

— Dia primeiro de fevereiro! — exclamou o Sr. Bucket — Mas já é amanhã! Hoje é o último dia de janeiro. Eu tenho certeza!
— Puxa vida — disse a Sra. Bucket — É isso mesmo!
— Está em cima da hora! — exclamou Vovô José — Não há tempo a perder. Você precisa começar a se aprontar logo! Lave o rosto, penteie os cabelos, lave as mãos, escove os dentes, assoe o nariz, corte as unhas, engraxe os sapatos, passe a camisa e, por favor, limpe o barro das calças! Vamos, meu garoto! Você tem que estar preparado para o dia mais importante da sua vida!
— Não fique tão agitado, Vovô — disse o Sr. Bucket — Não confunda o coitado do Charlie. Temos que tentar manter a calma. Agora, a primeira coisa a resolver é a seguinte: quem vai acompanhar Charlie à fábrica?
— Eu! — gritou Vovô José, pulando de novo da cama — Eu vou com ele! Vou tomar conta dele! Pode deixar comigo!
A Sra. Bucket sorriu, voltou-se para o marido e disse:
— E você, querido? Não acha melhor você ir?
— Bem... — disse o Sr. Bucket, parando para pensar — não... Não sei se devo ir.
— Mas você precisa ir!
— Nisso não tem nada de precisar, minha querida — disse gentilmente o Sr. Bucket — Sabe de uma coisa? Eu adoraria ir. Seria emocionante. Mas, por outro lado... Acho que, de todos nós, quem merece ir mesmo é Vovô José. Parece que ele entende mais do assunto do que nós. Contanto, é claro, que ele esteja disposto...


— Iuupiiii — gritou Vovô José, pegando Charlie pela mão e dançando pelo quarto.
— Ele realmente parece muito disposto — disse a Sra. Bucket, rindo — É... talvez você tenha razão. Talvez Vovô José seja a pessoa certa para acompanhá-lo. Eu mesma não posso ir e deixar os outros três velhinhos sozinhos na cama o dia inteiro.
— Aleluia — gritou Vovô José — Graças a Deus!
Nessa hora, ouviram uma batida forte na porta da frente. O Sr. Bucket foi abrir, e a casa foi invadida por um enxame de repórteres e fotógrafos. Tinham saído à procura do menino do quinto Cupom Dourado, e agora todos queriam saber a história toda para colocarem nas primeiras páginas dos jornais do dia seguinte. Por muitas horas, aquela casinha virou um pandemônio, e devia ser quase meia-noite quando o Sr. Bucket conseguiu se livrar dos repórteres, e Charlie pôde ir para a cama.




continua...







Frase Curiosa: Conjugando o verbo Facebook: Eu posto, Tu comentas, Ele curte, Nós compartilhamos, Vós publicais, Eles riem, Ninguém trabalha.
Frase CuriosaErrar é humano. Colocar a culpa em alguém é estratégico.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

A FANTÁSTICA FÁBRICA DE CHOCOLATE - capítulos 10 e 11





10
A FOME VAI CHEGANDO


Duas semanas se passaram, e começou a fazer muito frio. Primeiro veio a neve. Começou de repente, numa manhã, quando Charlie estava se vestindo para ir à escola. Pela janela, ele via enormes flocos de neve caindo devagarinho do céu gelado, cor de chumbo.
À tarde, a casa já estava cercada de neve por todos os lados, e o Sr. Bucket teve que abrir caminho com uma pá, da porta até a rua.
Depois da neve, veio um vento gelado, que soprou dias e dias sem parar. Era um frio de doer! Tudo o que Charlie tocava parecia feito de gelo, e assim que ele punha o nariz fora da porta o vento parecia uma faca cortando suas bochechas.
Dentro de casa, entrava um arzinho gelado pelas frestas das janelas, por baixo da porta, e não havia onde se esconder. Os quatro velhinhos, muito quietos, deitavam-se aconchegados, tentando afastar o frio que gelava seus ossos. O entusiasmo com os Cupons Dourados havia desaparecido. Todos da família só tinham cabeça para pensar em dois problemas vitais: manter-se aquecidos e arranjar comida.
Por alguma razão, quando faz frio o apetite das pessoas aumenta. Quase todo mundo fica com vontade de comer carne assada, torta quente e todos aqueles pratos deliciosos, que esquentam a gente. Há pessoas que podem matar sua vontade. Mas Charlie Bucket nunca podia ter o que desejava porque sua família não podia comprar, e à medida que o frio ia aumentando ele ficava mais faminto. Os dois tabletes de chocolate, o do aniversário e o outro que Vovô José comprara, já tinham acabado há muito tempo, e a única coisa que ele tinha para comer eram aquelas refeições ralas de repolho.
De repente, as refeições começaram a diminuir mais ainda. Isso porque a fábrica de pasta de dentes onde o Sr. Bucket trabalhava faliu e teve que fechar. O Sr. Bucket logo começou a procurar outro emprego, mas não teve sorte. No fim, para conseguir ganhar um dinheirinho começou a varrer a neve das ruas. Mas não dava para comprar nem um quarto da comida necessária para as sete pessoas da família. A situação tornou-se desesperadora. O café da manhã era uma fatia de pão seco para cada um e o jantar, quando dava, meia batata cozida.
Aos poucos, eles foram ficando desnutridos.
Todos os dias, o pequeno Charlie Bucket, andando pela neve no caminho para a escola, passava em frente da gigantesca fábrica de chocolate do Sr. Willy Wonka. Ao se aproximar dela, sempre levantava o narizinho arrebitado e respirava o delicioso cheiro adocicado de chocolate derretido. Às vezes ficava paralisado do lado de fora do portão, por vários minutos, respirando fundo, como se estivesse tentando comer aquele cheiro maravilhoso.
Numa manhã gelada, esticando a cabeça para fora do cobertor, Vovô José disse:
— Essa criança tem que se alimentar melhor. Quanto a nós, tudo bem. Já somos velhos. Mas esse menino está em fase de crescimento! Não pode continuar assim! Ele está virando um esqueleto!
— O que se há de fazer? — murmurou Vovó Josefina, com tristeza — Ele se recusa a comer nossa comida. A mãe colocou o pedaço de pão dela no prato de Charlie hoje cedo, no café da manhã, mas ele nem tocou. Ele a obrigou a pegar o pão de volta.
— É um amor de criança — disse Vovô Jorge — Não merece isso.
O tempo ruim continuava.
Dia a dia, Charlie ia emagrecendo. Seu rosto foi ficando terrivelmente pálido e judiado. A pele estava tão grudada na face, que dava para ver os ossos. Se ele continuasse daquele jeito, ia acabar ficando muito doente.
Então, calmamente, com aquela estranha sabedoria que freqüentemente parece tomar conta das crianças em épocas de dificuldade, ele começou a mudar algumas coisas em sua vida, para poupar forças. De manhã, saía de casa dez minutos antes, e andava bem devagar até a escola, para não ter que correr. Ficava quietinho sentado na classe na hora do recreio, descansando, enquanto os outros corriam para fora, atirando bolas de neve e rolando na neve. Ele fazia tudo devagar, com cuidado, para não se cansar.
Certa tarde, ao caminhar de volta para casa com o vento gelado batendo no rosto (e, aliás, sentindo mais fome do que nunca), seus olhos deram com alguma coisa prateada na sarjeta, no meio da neve. Charlie se abaixou para examinar melhor. Parte da coisa estava enterrada na neve, mas finalmente ele viu o que era.
Era uma moeda!


Olhou depressa em volta dele.
Será que alguém tinha acabado de deixar cair a moeda?
Não — isso seria impossível, porque ela já estava meio coberta de neve.
Muitas pessoas passavam apressadas por ele com o queixo afundado na gola do casaco, pés esmagando a neve. Nenhuma delas estava procurando dinheiro, nenhuma delas dava a menor atenção àquele menino agachado na sarjeta.
Então a moeda era dele! Era ele o dono?
Com cuidado, Charlie puxou a moedinha meio enfiada na neve. Estava molhada, suja, mas perfeita.
— Uma moeda só minha!
Segurou a moeda com força entre os dedos trêmulos, olhando pasmado para ela. Para Charlie aquilo significava uma coisa, apenas uma coisa. COMIDA.
Automaticamente, o menino voltou e começou a andar na direção da loja mais próxima. Era só a dez passos dali... uma lojinha de jornais e selos, daquelas que vendiam de tudo, inclusive doces e cigarros... cochichou para si mesmo o que ia fazer... compraria uma deliciosa barra de chocolate para comer inteira, pedaço por pedaço, lá mesmo... e o resto do dinheiro ele levaria direto para casa e daria a sua mãe.


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Excepcionalmente hoje, por causa do conteúdo,
serão publicados DOIS capítulos
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11
O MILAGRE


Charlie entrou na loja e pos a moedinha no balcão.
— Uma Delícia Crocante Wonka — ele disse, lembrando o quanto tinha adorado o chocolate que ganhara no seu aniversário.
O homem atrás do balcão era gordo e bem nutrido. Tinha os lábios grandes, bochechas gorduchas e um pescoção. A banha do pescoço saltava cobrindo o colarinho como um colar de borracha. Pegou um tablete de chocolate que estava atrás dele, voltou-se e o entregou para Charlie. Charlie agarrou o chocolate mais que depressa, num segundo rasgou o papel e deu uma super-mordida. Depois mais uma... e mais outra... ah, que felicidade ter aqueles pedaços grandes, doces e substanciosos dentro da boca! A felicidade abençoada de estar com a boca cheia de comida!
— Parece que você estava mesmo com vontade, hein, filhote? — disse o vendedor, brincalhão.
Charlie concordou com a boca estufada de chocolate.
O vendedor pôs o troco no balcão.
— Devagar — ele disse — Vai acabar ficando com dor de barriga se continuar engolindo sem mastigar!
Charlie continuou devorando o chocolate. Não conseguia parar. Em menos de um minuto o tablete inteiro tinha desaparecido. Ele estava quase sem fôlego, mas sentia-se maravilhosamente, extraordinariamente feliz. Esticou a mão para pegar o troco. Parou. Seus olhos estavam fixos no balcão, olhando as moedas de prata. Tinha, ao todo, nove moedas. Claro que não haveria problema se ele gastasse só mais uma...
— Então — ele disse baixinho — acho que vou querer só mais um tablete de chocolate. Igual ao outro, por favor.
— Por que não? — respondeu o vendedor gorducho, pegando atrás dele mais uma Delícia Crocante Wonka da prateleira. Colocou em cima do balcão.
Charlie pegou e rasgou logo a embalagem... quando, de repente... de dentro do papelzinho, apareceu uma luz brilhante, dourada.
O coração de Charlie parou.
— É um Cupom Dourado! — gritou o vendedor, dando pulos no ar — Você achou o último Cupom Dourado! Inacreditável! Venham todos, venham ver! O garoto achou o último Cupom Dourado do Sr. Wonka! Aqui está! Na mão dele!
Parecia que o vendedor ia ter um ataque.
— Na minha loja — ele gritava — Ele achou bem aqui, na minha lojinha! Chamem os jornais, depressa! Cuidado, filhote! Cuidado para não rasgar! Esse cupom é precioso!
Num segundo, umas vinte pessoas se aglomeraram em volta de Charlie, e ainda ia chegando mais gente da rua. Todo mundo queria ver o Cupom Dourado e o feliz ganhador.
— Onde está ele? — alguém gritou — Levante para todo mundo ver o Cupom Dourado!
— Olhe lá! — outro gritou — Ele está com o cupom na mão! Vejam o brilho dourado!
— Eu só queria saber o que ele fez para achar o cupom — gritou indignado um menino grandão — Tenho comprado vinte barras por dia, há semanas e semanas!
— Imagine só tudo o que ele vai ganhar — outro garoto disse, com inveja — O suficiente para o resto da vida!
— Ele bem que está precisando, esse camarãozinho magrela — disse uma menina, dando risada.
Charlie não se mexeu. Nem acabou de desembrulhar o chocolate para pegar o Cupom Dourado. Estava parado, de pé, segurando-o com força nas duas mãos, enquanto a multidão empurrava e gritava ao seu redor. Sentia-se zonzo, atordoado. Tinha a sensação de estar levitando, subindo para o ar como um balão. Era como se os pés dele não estivessem tocando o chão. Ouvia o barulho de seu coração batendo forte na garganta.
Nessa hora, sentiu uma mão apoiada em seus ombros. Levantou os olhos e viu um homem alto, de pé ao lado dele.
— Escute — cochichou o homem — quero comprar seu cupom. Dou cinqüenta libras por ele. Que tal, hein? E ainda dou uma bicicleta nova para você. Combinado?
— Ficou louco? — gritou uma senhora que estava ao lado — Dou duzentas libras por esse cupom! Quer vender esse cupom por duzentas libras, garoto?
— Chega! — gritou o vendedor gorducho, atravessando a multidão e pegando Charlie firmemente pelo braço — Deixem o menino em paz! Com licença! Deixem o garoto sair.
E, enquanto levava Charlie até a porta, o vendedor cochichou:
— Não deixe ninguém pegar seu cupom. Vá direto para casa, correndo, antes que você o perca. Vá correndo e não pare até chegar lá, entendeu?
Charlie fez que sim com a cabeça.
— Quer saber de uma coisa? — disse o vendedor gorducho, parando um pouco e sorrindo para Charlie — Tenho a impressão de que você precisava mesmo de um lance desse. Estou muito contente por você ter encontrado o Cupom Dourado. Boa sorte, filhote!
— Obrigado — disse Charlie, e foi embora correndo pela neve o mais rápido que suas pernas permitiam. Passou voando diante da fábrica do Sr. Wonka, virou-se, deu um tchauzinho e disse — Até logo mais! Até logo mais!
Em cinco minutos chegou em casa.





continua...







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terça-feira, 22 de novembro de 2011

A FANTÁSTICA FÁBRICA DE CHOCOLATE - capítulo 9





9
VOVÔ JOSÉ TENTA A SORTE


No dia seguinte, quando Charlie voltou da escola e foi até o quarto dos avós, viu que só Vovô José estava acordado. Os outros três estavam roncando alto.
— Psss! — chamou Vovô José, fazendo sinal para Charlie chegar mais perto.
Na ponta dos pés, Charlie chegou até a cama. O velhinho, com um sorriso malicioso, começou a remexer debaixo do travesseiro, de onde tirou uma velha carteira de couro. Debaixo do lençol, abriu a carteira e sacudiu-a de cabeça para baixo. Caiu só uma moedinha de prata.
— É meu tesouro secreto — ele sussurrou — Os outros não sabem que tenho isso. Agora, você e eu vamos fazer mais uma tentativa para encontrar o último cupom. O que você acha, hein? Mas você vai ter que me ajudar.
— Tem certeza de que quer gastar seu dinheiro com isso, Vovô? — cochichou Charlie.
— Claro que tenho! — respondeu o velhinho, apressado — Não fique aí discutindo! Estou tão ansioso quanto você para achar esse cupom! Aqui está. Pegue o dinheiro, corra até a loja mais próxima, compre o primeiro chocolate Wonka que você encontrar e volte correndo para casa. Vamos abrir o chocolate juntos.
Charlie pegou a moedinha de prata e saiu rapidinho do quarto. Em cinco minutos já estava de volta.
— Comprou? — cochichou Vovô José, com os olhos brilhando de alegria.
Charlie fez que sim com a cabeça e mostrou a barra de chocolate: SURPRESA DE NOZES WONKA.
— Muito bem — falou baixinho o velho, sentando na cama e esfregando as mãos — Agora sente aqui, bem perto de mim, e vamos abrir juntinhos. Pronto?
— Pronto — disse Charlie.
— Vamos ver. Você começa.
— Não — disse Charlie. — Você pagou, você desembrulha.
Os dedos do velhinho estavam tremendo, tentando tirar o papel.
— Na verdade, não temos a menor chance — ele falou, com um risinho — Você está sabendo que não temos chance, não é?
— Estou — disse Charlie. — Estou sabendo, sim.
Um olhou para o outro e sorriram, nervosos. Vovô José repetiu:
— Você sabe que só há uma chance muito pequena de ser esse o chocolate premiado, não é mesmo?


— É — disse Charlie — Claro. Por que não abre logo, Vovô?
— Calma, menino. Calma. Que lado você quer que eu abra primeiro?
— Esse aqui. O que está mais longe de você. Abra só um pouquinho, de jeito que ainda não dê para ver o que tem dentro.
— Assim? — disse o velhinho.
— É. agora, mais um pouquinho.
— Termine você — disse Vovô José — Estou muito nervoso.
— Não, Vovô. Abra você até o fim.
— Tudo bem, vamos lá! — e ele desembrulhou de uma vez.
Os dois arregalaram os olhos para ver o que tinha caído do papel. Era uma barra de chocolate — só isso.Os dois foram percebendo aos poucos o lado engraçado daquilo tudo e caíram na risada.
— O que está acontecendo? — perguntou Vovó Josefina, acordando de repente.
— Nada, nada — disse Vovô José — Pode continuar dormindo.




continua...






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segunda-feira, 21 de novembro de 2011

A se todas campanhas políticas fossem assim...









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A FANTÁSTICA FÁBRICA DE CHOCOLATE - capítulo 8





8
MAIS DOIS CUPONS DOURADOS


Naquela tarde, o jornal do Sr. Bucket anunciou a descoberta não só do terceiro Cupom Dourado, mas também do quarto. DOIS CUPONS DOURADOS ENCONTRADOS HOJE, anunciavam as manchetes. FALTA APENAS UM.
— Muito bem — disse Vovô José, quando a família se reuniu no quarto dos velhinhos depois do jantar — Vamos ver quem foram os premiados.
O Sr. Bucket leu a notícia, segurando o jornal bem perto do rosto, porque não enxergava direito e não tinha dinheiro para comprar óculos.
— “O terceiro cupom foi encontrado pela senhorita Violeta Chataclete. Houve grande agitação na casa dos Chataclete quando nossos repórteres chegaram para entrevistar a mocinha de sorte — câmeras clicando, flashes faiscando, gente empurrando, se acotovelando, tentando chegar mais perto da feliz ganhadora. A menina, de pé numa cadeira da sala de visitas, agitava o Cupom Dourado com os braços levantados, como se estivesse chamando um táxi. Falava muito alto e depressa, mas não era fácil ouvir o que dizia por que ao mesmo tempo ela mascava ferozmente um chiclete! ‘Sempre fui mascadora de chicletes’, ela anunciou, ‘mas, quando ouvi falar desses cupons do Sr. Wonka, abandonei o chiclete e me dediquei ao chocolate, na esperança de encontrar a sorte grande. Agora, claro, estou de volta ao chiclete. Simplesmente adoro chiclete. Não posso viver sem chiclete. Masco chiclete o dia inteiro, menos por alguns minutos, na hora das refeições. Então, tiro o chiclete da boca e grudo atrás da orelha, para não perder. Na verdade, eu simplesmente não me sentiria à vontade se não tivesse esse pedacinho de borracha para ficar mascando o dia inteiro. Não consigo viver sem ele. Minha mãe diz que nem pareço uma mocinha e que é muito feio uma menina ficar o tempo todo mexendo a mandíbula para cima e para baixo, como eu, mas não concordo. E, afinal, quem é ela para dizer isso, porque, se vocês querem saber, a mandíbula dela mexe quase tanto quanto a minha, de tanto que ela fica gritando comigo o dia inteiro’.
‘Ora, Violeta’, gritou a Sra. Chataclete lá do outro canto da sala, onde estava de pé em cima do piano, para evitar ser pisoteada pela multidão.
‘Tudo bem, mamãe, não precisa ficar nervosa’, gritou a menina Chataclete. ‘E agora’, continuou ela, voltando-se novamente para os repórteres, ‘deve interessar a vocês saber que estou mascando este mesmo chiclete há três meses, sem parar. É um recorde, sem dúvida! Consegui bater o recorde que era da minha melhor amiga, Cornélia Prinzmetal. Ela ficou furiosa! Agora, este chiclete é a coisa mais preciosa que eu tenho. À noite, eu o deixo grudado no estrado da cama, e de manhã ele continua ótimo — talvez um pouquinho duro no começo, mas assim que eu dou umas mascadas ele amacia de novo. Antes de começar a mascar para disputar o recorde mundial, eu costumava trocar meu chiclete uma vez por dia. Fazia isso dentro do elevador, quando voltava da escola. Por quê? Porque eu gostava de grudá-lo num dos botões do elevador. Então, quando alguém entrava e apertava aquele botão, ficava com o chiclete usado grudado na ponta do dedo. Ha-ha! Muita gente achava ruim e reclamava! O melhor é quando isso acontece com aquelas mulheres que usam luvas caríssimas. Ah, sim, estou ansiosa para entrar na fábrica do Sr. Wonka. E sei que depois ele vai me dar chicletes para durar o resto da minha vida. Hip! Hip! Hurra!’”.
— Que menina idiota! — disse Vovó Josefina.
— Desprezível — disse Vovó Jorgina — Já está pegajosa de tanto mascar chiclete...
— E quem achou o quarto Cupom Dourado? — perguntou Charlie.
— Vamos ver — disse o Sr. Bucket, voltando ao jornal — Está aqui! O quarto Cupom Dourado foi encontrado por um menino chamado Miguel Tevel.
— Outro entojo, tenho certeza — resmungou Vovó Josefina.


— Não interrompa, vovó — disse a Sra. Bucket.
— “A casa dos Tevel” — leu o Sr. Bucket — “também estava cheia de gente entusiasmada quando nosso repórter chegou, mas o jovem Miguel Tevel, o feliz ganhador, parecia incomodado com toda aquela agitação. ‘Será que vocês não percebem que estou vendo televisão?’ disse ele, zangado, ‘gostaria de não ser interrompido!’ O garoto, que tinha nove anos de idade, estava sentado em frente a uma televisão enorme, com os olhos grudados na tela, assistindo a um filme onde dois bandos de gangsters atiravam um contra o outro de metralhadora. O próprio Miguel Tevel estava com o corpo coberto de cinturões, com uns dezoito revólveres pendurados. Eram revólveres de brinquedo, de todos os tamanhos. Toda hora ele dava um pulo, pegava umas das armas e soltava uma meia dúzia de tiros. Quando alguém tentava perguntar alguma coisa, ele gritava: ‘Silêncio, eu não disse que não queria ser interrompido? Esse programa é um tiroteio só! Incrível! Terrível! Eu o vejo todos os dias. Assisto a todos os programas todos os dias, até os chatos, que não têm tiro. Gosto mais dos bandidos. São incríveis! Principalmente quando começam a mandar chumbo, puxar os estiletes, ou brigar com soco-inglês!’”.


— Chega — gritou Vovó Josefina. — Não agüento ouvir isso!
— Nem eu — disse Vovó Jorgina — Será que hoje em dia todas as crianças se comportam como esses pirralhos?
— Claro que não — disse o Sr. Bucket, sorrindo para a velhinha — Algumas, sim. Talvez muitas. Mas não todas.
— Agora só sobrou um cupom — disse Vovô Jorge.
— É mesmo — fungou Vovó Jorgina — E, com a mesma certeza de que amanhã vou comer sopa de repolho no jantar, sei que esse cupom vai cair nas mãos de algum moleque insuportável, que não o merece.



 continua...






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domingo, 20 de novembro de 2011

A FANTÁSTICA FÁBRICA DE CHOCOLATE - capítulo 7




7
O ANIVERSÁRIO DE CHARLIE


— Feliz aniversário! — exclamaram os quatro avós, assim que Charlie entrou no quarto deles na manhã seguinte.
Charlie deu um sorrisinho nervoso e sentou na beirada da cama. Estava segurando seu presente, seu único presente, com muito carinho com as duas mãos. Na embalagem estava escrito: DELÍCIA CROCANTE WONKA.
Os quatro velhinhos, dois de cada lado da cama, se emprumaram e ficaram olhando ansiosos para o tablete de chocolate que estava nas mãos de Charlie.
O Sr. e a Sra. Bucket entraram e ficaram ao pé da cama, olhando para Charlie.
O quarto ficou em silêncio. Todos estavam esperando Charlie abrir o presente. Charlie estava com os olhos pregados no tablete de chocolate. Devagarinho, ia correndo os dedos por trás e pelos lados do chocolate, alisando-o com carinho e enchendo o quarto com o barulhinho estalado do papel brilhante.
Então a Sra. Bucket disse suavemente:
— Não fique muito desapontado, meu filho, se não achar o que está procurando. Você não pode esperar ser tão sortudo assim.
— Ela tem razão — concordou o Sr. Bucket.
Charlie não disse uma palavra.
— Além do mais — acrescentou Vovó Josefina — no mundo inteiro só faltam três cupons para serem encontrados.
Vovó Jorgina emendou:
— E não se esqueça de que, seja como for, você ainda tem o tablete de chocolate.
— Delícia Crocante Wonka — exclamou Vovô Jorge — É o melhor chocolate do mundo! Você vai adorar!
— Claro — Charlie balbuciou — eu sei.
— Vamos, esqueça esses Cupons Dourados e aproveite o chocolate — disse Vovô José — Por que você não faz isso?
Todos sabiam que era ridículo esperar que naquela simples e única barrinha de chocolate fosse aparecer um cupom mágico e estavam tentando, com o maior carinho e delicadeza possível, preparar Charlie para a decepção. Mas também sabiam de outra coisa: por menor que fosse a chance de encontrar o cupom, ela existia e estava diante deles.
Aquele tabletinho de chocolate tinha tanta chance de conter o Cupom Dourado quanto qualquer outro. E por isso os avós e os pais estavam tão ansiosos quanto Charlie, embora fingissem estar muito calmos e tranqüilos.
— É melhor você abrir logo esse chocolate, senão vai chegar atrasado na escola — recomendou Vovô José.


  
— É melhor acabar logo com essa história — apressou o Vovô Jorge.
— Abra, querido — Vovó Jorgina pediu — Por favor, abra depressa. Você está me deixando nervosa.
Devagarinho, os dedos de Charlie começaram a desdobrar uma beiradinha do papel. Os velhinhos na cama inclinaram-se para a frente, estendendo o pescoço enrugado.
Então, de repente, não agüentando mais aquele suspense, Charlie rasgou o papel bem no meio... e no seu colo caiu... uma cremosa barra de chocolate marrom.
Nem sinal do Cupom Dourado.
— Bem, é isso aí! — disse animado Vovô José — Exatamente o que a gente estava esperando.
Charlie levantou os olhos. Da cama, quatro rostos carinhosos olhavam fixamente para ele. Sorriu para eles, um risinho triste, balançou os ombros, pegou o chocolate, ofereceu para sua mãe e disse:
— Pegue um pedacinho, mamãe. Vamos dividir. Quero que todos experimentem.
— De jeito nenhum — disse sua mãe.
E todos os outros exclamaram:
— Não, não! Nem pensar! É todo seu!
Por favor — implorou Charlie, oferecendo o chocolate para Vovô José.
Mas nem ele nem ninguém aceitou sequer uma mordidinha.
— Hora de ir para a escola, filho — disse a Sra. Bucket, abraçando os ombros magrinhos de Charlie — Vamos, senão você vai chegar atrasado.




continua...








Frase Curiosa: Conjugando o verbo Facebook: Eu posto, Tu comentas, Ele curte, Nós compartilhamos, Vós publicais, Eles riem, Ninguém trabalha.
Frase CuriosaErrar é humano. Colocar a culpa em alguém é estratégico.