segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

A FANTÁSTICA FÁBRICA DE CHOCOLATE - capítulo 22





22
NO CORREDOR


— Muito bem! — suspirou o Sr. Willy Wonka — duas crianças desagradáveis já se foram. Ficaram três comportadas. Acho melhor dar o fora dessa sala antes de perder mais alguém!
— Mas, Sr. Wonka — disse Charlie Bucket, ansioso — Será que Violeta Chataclete vai se curar, ou vai continuar amora para sempre?
— Num instante vão espremer todo o suco dela! — declarou o Sr. Wonka. — Vão colocá-la na máquina de fazer suco e ela vai sair fininha como um apito!
— Mas vai sair toda azul?  — perguntou Charlie.
— Não, roxa! — gritou o Sr. Wonka. — Roxinha, da cabeça aos pés! Mas o que você esperava? É o mínimo que pode acontecer para quem fica o tempo todo mascando esses chicletes horríveis!
— Se o senhor acha que é uma coisa tão ruim — disse Miguel Tevel — por que fabrica chicletes?
— Gostaria que você parasse de resmungar — disse o Sr. Wonka. — Não consigo entender uma palavra do que está dizendo! Vamos! Venham atrás de mim, depressa! Vamos entrar outra vez nos corredores!
E, dizendo isso, o Sr. Wonka correu até a extremidade da Sala das Invenções e saiu por uma portinha secreta, por trás de chaminés e fogões. As três crianças — Veroca Sal, Miguel Tevel, Charlie Bucket — e os cinco adultos o seguiram.
Charlie Bucket viu que estavam de volta a um daqueles corredores cor-de-rosa, compridos, de onde saíam outros corredores cor-de-rosa. O Sr. Wonka corria na frente, virando à esquerda e à direita, à direita e à esquerda, e Vovô José dizia:
— Segure bem a minha mão, Charlie! Deve ser um horror perder-se aqui!
O Sr. Wonka resmungava:
— Chega de conversa! Nessa moleza não vamos chegar a lugar nenhum!
E continuava pelos corredores rosados, com o chapéu preto encarapitado na cabeça e as abas do fraque cor de ameixa voando atrás dele como uma bandeira ao vento.
Passaram por uma porta.
— Não dá tempo para entrar! — gritou o Sr. Wonka — Depressa! Mais depressa!
Passaram por outra porta, e outra, e outra. Agora, havia uma porta a cada vinte passos, no corredor, todas com alguma coisa escrita. Por trás delas ouviam-se barulhos estranhos, e cheiros deliciosos escapavam pelas fechaduras. De vez em quando um jato de vapor colorido passava espremido através das frestas.
Vovô José e Charlie andavam quase correndo para alcançar o Sr. Wonka, mas mesmo assim conseguiam ler o que estava escrito em algumas portas. TRAVESSEIROS COMESTÍVEIS DE MARIA-MOLE.
— Travesseiros de maria-mole são uma delícia! — gritou o Sr. Wonka ao passar pela porta — Vão fazer um sucesso estrondoso quando chegarem às lojas! Mas não dá tempo para entrar! Não dá tempo!
PAPEL DE PAREDE LAMBÍVEL PARA QUARTOS DE CRIANÇAS, estava escrito em outra porta.
— Ah, o papel lambível é uma glória! — exclamou o Sr. Wonka, na corrida — Tem desenho de frutas: bananas, maçãs, laranjas, uvas, abacaxis, morangos e dorminhocabas.
— Dorminhocabas? — perguntou Miguel Tevel.
— Não interrompa! — zangou-se o Sr. Wonka — O papel tem figuras de todas essas frutas, e quando a gente lambe o desenho de uma banana sente gosto de banana. Quando lambe um morango, o sabor é de morango. E quanto a gente lambe uma dorminhocaba, sente direitinho o gosto de dorminhocaba...
— E que gosto tem dorminhocaba?
— Pronto, já começou a resmungar de novo — disse o Sr. Wonka — Da próxima vez, fale mais alto. Vamos lá! Depressa!
SORVETES QUENTES PARA DIAS FRIOS, anunciava outra porta.
— Extremamente útil para o inverno — comentou o Sr. Wonka, sem parar a correria — O sorvete quente aquece a gente em dias gelados. Também produzo cubos de gelo quente para colocar em bebidas quentes. Os cubos de gelo fazem as bebidas que já são quentes ficarem mais quentes ainda.
Outra porta: VACAS QUE DÃO LEITE COM CHOCOLATE.
— Ah, minhas vaquinhas queridas! Como adoro essas vacas! — gritou o Sr. Wonka.
— Por que não podemos vê-las? — perguntou Veroca Sal — Por que temos que passar correndo, sem entrar nessas salas maravilhosas?
— Vamos parar quando for hora! — avisou o Sr. Wonka — Que impaciência!
BEBIDAS ESPUMANTES QUE LEVANTAM O ÂNIMO, outra porta.
— Ah, estas são fabulosas! Enchem a gente de bolhas, e as bolhas contêm um gás animador especial. Esse gás levanta tanto o ânimo, que a pessoa vai subindo como um balão, até bater com a cabeça no teto e... fica lá em cima.
— Mas como a gente faz para descer? — perguntou Charlie.
— É só arrotar. A pessoa dá um arroto bem forte, o gás sobe e ela desce! Mas não se deve tomar essa bebida ao ar livre! Nunca se sabe a que altura se pode subir. Certa vez eu dei um pouco para um velho umpa-lumpa beber, no quintal, e ele subiu, subiu até sumir. Foi uma tristeza. Nunca mais nós o vimos.
— Ele deveria ter arrotado? — perguntou Charlie.
— Claro, deveria ter arrotado. Fiquei berrando aqui embaixo: “Arrote, seu burro, senão você nunca mais vai descer!” Mas ele não quis ou não conseguiu. Talvez fosse educado demais para arrotar. A essas alturas já deve estar na Lua.
Na porta seguinte estava escrito: DOCES QUADRADOS E CURIOSOS.
— Esperem! — gritou o Sr. Wonka, parando de repente — Tenho um orgulho imenso dos meus doces quadrados e curiosos. Vamos dar uma olhadinha.






continua...








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domingo, 4 de dezembro de 2011

A FANTÁSTICA FÁBRICA DE CHOCOLATE - capítulo 21





21
PASSE BEM, VIOLETA


— Esse chiclete — continuou o Sr. Wonka — é minha última invenção, a maior e mais sensacional de todas! É um chiclete-refeição! É...É...É... aquele pequeno pedaço de chiclete ali vale por um super-jantar!
— Que bobagem é essa? — disse um dos pais.
— Prezado senhor! — exclamou o Sr. Wonka — quando eu começar a vender esse chiclete nas lojas, vai ser uma revolução! Vai ser o fim de todas as cozinhas e cozinheiras! Não será mais preciso fazer compras! Adeus às compras de carnes e verduras! Adeus às facas e garfos! Adeus aos pratos! Adeus à lavagem de louças, ao lixo e à sujeira! Só um pedacinho do chiclete mágico Wonka dará tudo o que precisamos para o café da manhã, almoço e jantar! Esse pedacinho que acaba de sair da máquina é sopa de tomate, rosbife e torta de morango, mas cada um pode escolher seu cardápio.
— O que você quer dizer com “é sopa de tomate, rosbife e torta de morango”? — perguntou Violeta Chataclete.
— Se você começar a mascá-lo — disse o Sr. Wonka — é exatamente o que vai comer. É fantástico! Você sente a comida descer pela garganta e chegar na barriga! Sente perfeitamente o gosto! E fica satisfeito! Abastecido! É maravilhoso!
— Absolutamente impossível! — disse Veroca Sal.
— Sendo chiclete — exclamou Violeta Chataclete — sendo um pedaço de borracha que dê para mascar, então é comigo! — Ela tirou depressa da boca seu chiclete do recorde mundial e grudou atrás da orelha — Vamos lá, Sr. Wonka — ela disse — me passe esse seu chiclete mágico, vou ver se funciona mesmo.
— Violeta — disse a Sra. Chataclete — deixe de bobagem, Violeta.
— Eu quero esse chiclete — disse Violeta, obstinada — Que bobagem há nisso?
— Acho melhor não mexer com ele por enquanto — disse o Sr. Wonka — Veja bem, eu ainda não sei se está perfeito. Ainda tem umas coisinhas para acertar...
— Ora, deixe de onda! — disse Violeta e, antes que o Sr. Wonka pudesse impedi-la, esticou a mão, pegou o chiclete de dentro da gaveta e o enfiou na boca. Na mesma hora, suas mandíbulas grandes e bem treinadas começaram a mascar.
— Não faça isso! — disse o Sr. Wonka.
— Fantástico — exclamou Violeta — É sopa de tomate! Quente, cremosa, deliciosa! Estou sentindo a sopinha descendo pela garganta!
— Pare! — disse o Sr. Wonka — o chiclete ainda não deu totalmente certo!
— Claro que deu certo! — disse Violeta — Está funcionando perfeitamente! Oh, que delícia de sopa!
— Ouça o que estou dizendo — disse o Sr. Wonka — Jogue isso fora!
— Está mudando! — exclamou Violeta, mascando e dando um sorrisinho — O segundo prato está chegando! É rosbife! Está macio e suculento! Nossa, que sabor! A batata assada está maravilhosa, também! Está com a casquinha Crocante cheinha de manteiga!
— Mas, que interessante, Violeta — disse a Sra. Chataclete — Como você é sabida!
— Continue mascando, garota, continue! — animava o Sr. Chataclete — Hoje é um dia especial para os Chataclete! Nossa filhota é a primeira pessoa no mundo a comer uma refeição de chiclete!
Todo mundo estava de olho em Violeta Chataclete, que mastigava aquele chiclete extraordinário. Charlie Bucket, o pequeno Charlie, completamente enfeitiçado, observava aqueles lábios elásticos que abriam e fechavam, e o Vovô José, logo atrás dele, de boca aberta, encarava a menina. O Sr. Wonka torcia as mãos, dizendo:
— Não, não e não! Ainda não está pronto para ser comido! Não está acabado! Pare com isso!
— Torta de amoras e creme de leite! — gritou Violeta — Já senti o gostinho. Perfeito! Que maravilha! Como se eu estivesse mesmo engolindo! Mastigando e engolindo a melhor torta de amoras do mundo!
— Minha nossa! — gritou a Sra. Chataclete, de repente — Violeta, o que está acontecendo com seu nariz?
— Ora, mamãe, fique quieta, me deixe acabar! — respondeu Violeta.
— Seu nariz está ficando vermelho! Roxo! Da cor de uma amora!
— Sua mãe tem razão! — urrou o Sr. Chataclete — O seu nariz está roxo! Inteirinho!
— O quê? — perguntou Violeta, ainda mastigando.
— Suas bochechas! Também estão roxas! — guinchou a Sra. Chataclete — E o seu queixo! Seu rosto inteiro está roxo!
— Cuspa esse chiclete imediatamente — ordenou o Sr. Chataclete.
— Deus que me ajude! — berrou a Sra. Chataclete — A menina está ficando roxa! Até o cabelo está mudando de cor! Violeta, você está ficando violeta, Violeta! O que está acontecendo com você?
— Eu avisei que o chiclete ainda não tinha dado totalmente certo — suspirou o Sr. Wonka, sacudindo a cabeça tristemente.
— Claro que não tinha! — gemeu a Sra. Chataclete — Veja a menina, agora!
Todos estavam com os olhos pregados em Violeta. Que visão estranha! Rosto, mãos, pernas e pescoço, na verdade a pele do corpo todo, e até o cabelo encaracolado, estava tudo roxo-avermelhado, cor de amoras amassadas!
— Sempre dá errado quando chegamos na sobremesa! — suspirou o Sr. Wonka — É a torta de amoras que produz esse efeito. Mas um dia eu ainda acerto, vocês vão ver!
— Violeta! — gritou a Sra. Chataclete — você está inchando!
— Estou enjoada! — disse Violeta.
— Está inchando cada vez mais! — repetiu a Sra. Chataclete.
— Estou me sentindo esquisita! — gaguejou Violeta.
— Não me espanta nem um pouco! — exclamou o Sr. Chataclete.
— Nossa! — gritou a Sra. Chataclete — Você está se inflando como um balão!
— Como uma amora! — corrigiu o Sr. Wonka.
— Chame um médico! — exigiu o Sr. Chataclete.
— Fure-a com um alfinete! — sugeriu um dos outros pais.
— Salvem minha filha! — implorou a Sra. Chataclete, torcendo as mãos.
Mas não havia mais jeito. O corpo de Violeta ia inchando e mudando de forma tão depressa, que em um minuto tinha se transformado num daqueles balões redondos — como uma amora, mesmo. De Violeta Chataclete só tinha sobrado um parzinho de pernas e de braços espetados naquela frutona e, no topo, uma cabecinha desproporcional.
— É sempre a mesma coisa! — suspirou o Sr. Wonka — Já testei vinte vezes na Sala de Testes, em vinte umpa-lumpas, e todos acabaram ficando como uma amora. É demais. Não dá para entender!
— Mas eu não quero uma filha amora! — gritou a Sra. Chataclete — Faça-a voltar ao natural agora mesmo!
O Sr. Wonka estalou os dedos e dez umpa-lumpas apareceram imediatamente ao seu lado.
— Ponham a srta. Chataclete no barco — ordenou — e levem-na à Sala dos Sucos, imediatamente!
— À Sala dos Sucos? — gritou a Sra. Chataclete — O que vão fazer com ela?
— Espremê-la — respondeu o Sr. Wonka. — Temos que espremer já o suco dela. Depois vamos ver o que acontece. Mas não se preocupe, Sra. Chataclete. Vamos consertá-la de qualquer jeito. Sinto muito. Realmente estou desolado...
Os dez umpa-lumpas foram rolando a enorme amora pelo chão da Sala das Invenções em direção à porta que ia dar no rio de chocolate, onde o barco os esperava. O Sr. e a Sra. Chataclete saíram correndo atrás deles. Os outros, inclusive Charlie Bucket e o Vovô José, ficaram absolutamente imóveis, vendo-os passar.
— Escute — sussurrou Charlie — Escute, vovô!  Os umpa-lumpas do barco começaram a cantar.
O som das vozes — eram cem vozes cantando ao mesmo tempo — chegava nitidamente à sala:


Criança que não tira chiclete da boca
Fica com cara de cabeça oca,
É pior ainda que criança remelenta,
Mais irritante, feia e nojenta.
A propósito disso me vem à memória
Esta trágica, horrível e triste história:
Era uma vez a doce Teresa
Que apesar de dona de rara beleza,
Mulher de respeito e fina senhora
Comprava chiclete a toda hora.
Mascava chiclete o dia inteiro,
Na cozinha, no quarto, no banheiro,
Na rua, no trabalho, dentro da igreja,
E até no barzinho tomando cerveja.
O chiclete da moça virou piada,
As pessoas comentavam e davam risada.
Um belo dia acabou a comédia
E o que era engraçado virou tragédia.
O hábito da moça virou mania;
Ela quis parar e não conseguia.
No meio da noite se o chiclete acabava,
Teresa ia mascando tudo o que achava:
Bala, macarrão, queijo, berinjela,
Se acabava a comida mascava a panela.
Mastigava almofada, toalha, tapete,
Pasta de dente, escova e sabonete,
Bolsa, sacola e sola de sapato,
Ia pro jardim e comia até mato.
Sua boca mascava que nem maquininha
Teresa acabou perdendo o que tinha.
O queixo cresceu, a boca inchou,
Foi indo, foi indo, Teresa pirou.
Nem pra dormir ela tinha sossego
É claro que acabou perdendo o emprego.
Por isso essa tal Violeta Chataclete
Que já é meio chata e metida a vedete
Precisa com urgência de uma lição
Porque daqui a pouco não tem salvação.
Uma coisa é saber que a menina Violeta
Sempre vai ser um pouco zureta.
Mas ninguém lhe deseja a imensa tristeza
De acabar maluca como a Teresa.




 continua...






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Frase CuriosaErrar é humano. Colocar a culpa em alguém é estratégico.

sábado, 3 de dezembro de 2011

A FANTÁSTICA FÁBRICA DE CHOCOLATE - capítulo 20




20
A GIGANTESCA MÁQUINA DE CHICLETE


O Sr. Wonka levou o grupo até uma máquina enorme que ficava bem no meio da Sala das Invenções. Era uma montanha de metal reluzente que se erguia diante das crianças e seus pais. Bem do topo dela saíam centenas e centenas de tubos de vidro fininhos, curvados para baixo, que se juntavam num feixe suspenso sobre uma barrica do tamanho de uma imensa banheira.
— Vamos lá! — gritou o Sr. Wonka, e apertou três botões.
Em um segundo, um barulho estrondoso saiu de dentro da máquina e ela começou a chacoalhar e a soltar fumaça por todos os lados. De repente as pessoas perceberam que alguma coisa escorria por dentro das centenas de tubos de vidro, esguichando dentro da barrica gigante. Por cada tubo escorria um líquido de cor diferente, de modo que todas as cores do arco-íris (e várias outras também) iam esguichando e espirrando. Era uma visão fascinante. E, quando a barrica estava quase cheia, o Sr. Wonka apertou outro botão e imediatamente o líquido desapareceu, deixando um zumbido em seu lugar. Então um misturador gigante começou a girar dentro da barrica, misturando todos os líquidos coloridos, como se fosse um ice-cream soda. Aos poucos a mistura começou a espumar. Foi espumando cada vez mais e mudando de cor: do azul para o branco, para o verde, para o marrom, para o amarelo, depois para o preto e de novo para o azul.
— Vejam! — disse o Sr. Wonka.
A máquina fez clic e o misturador parou de misturar. Começou a fazer um barulho de sucção e logo toda aquela mistura azul espumante que estava na barrica gigante foi sugada para o estômago da máquina. Houve um momento de silêncio. Então se ouviram roncos esquisitos. Novamente um silêncio. Aí, de repente, a máquina soltou um rugido forte e, do lado dela, pulou uma gavetinha. Dentro da gaveta havia uma coisa tão pequena, fina e cinzenta, que todo mundo achou que tinha havido algum engano: parecia uma tira de papelão cinzenta.
As crianças e os pais ficaram olhando espantados para aquela tirinha cinzenta dentro da gaveta.
— Quer dizer que é só isso? — disse Miguel Tevel, desolado.
— Só isso — respondeu o Sr. Wonka, olhando orgulhoso o resultado — Você tem idéia do que seja isso?
Houve uma pausa. Então, Violeta Chataclete, aquela bobinha do chiclete, deu um grito de alegria.
— Chicletes me mordam, isso é chiclete! — ela berrou — É um pedaço de chiclete!


— Acertou — exclamou o Sr. Wonka, batendo forte nas costas de Violeta — É um chiclete! O chiclete mais surpreendente, fabuloso e sensacional do mundo!




continua... 







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sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

A FANTÁSTICA FÁBRICA DE CHOCOLATE - capítulo 19





19
SALA DAS INVENÇÕES QUEBRA-QUEIXO E
CARAMELO DE CABELO


Quando o Sr. Wonka gritou “Parem o barco!”, os umpa-lumpas cravaram seus remos no rio, empurrando a água com toda a torça.
Os umpa-lumpas levaram o barco até a porta vermelha. Nela estava escrito: SALA DAS INVENÇÕES — PARTICULAR — MANTENHA DISTÂNCIA. O Sr. Wonka tirou uma chave do bolso, pulou para a borda do barco e colocou a chave na fechadura.
Esta é a sala mais importante de toda a fábrica! — disse ele — Aqui minhas invenções mais secretas são testadas, cozidas e tomam ponto! O velho Melagruder daria os dentes para entrar nesta sala, nem que fosse por três minutos! A mesma coisa Naribick, Lesmarmoth e todos os outros fabricantes de chocolates de meia-tigela! Mas escutem o que vou dizer! Nada de bagunça quando entrarem! Não toquem em nada, não se intrometam em nada e não experimentem nada. Combinado?
— Combinado! — exclamaram as crianças — Não vamos tocar em nada!
— Até hoje — disse o Sr. Wonka — ninguém teve permissão para entrar aqui, nem sendo umpa-lumpa!
Ele abriu a porta e saltou do barco para a sala. As quatro crianças acompanhadas de seus pais saíram atrás dele.
— Não toquem em nada! — gritou o Sr. Wonka — Não joguem nada no chão!
Charlie Bucket olhava a seu redor extasiado. Parecia que estavam na cozinha de uma bruxa feiticeira. Caldeirões de ferro preto ferviam, borbulhavam em fogões gigantes, chaleiras assobiavam, tachos chiavam, enquanto umas máquinas de ferro esquisitas tilintavam. Havia canos por todos os lados, nas paredes, nos telhados. Tudo exalava vapores, fumaças e cheiros maravilhosos.
O próprio Sr. Wonka estava mais entusiasmado do que de costume, e qualquer um percebia que aquela era sua sala predileta. Ele saltitava entre suas máquinas e panelas como uma criança no meio de presentes de Natal, sem saber o que ver primeiro. Levantou a tampa de um caldeirão imenso e deu uma cheiradinha; depois enfiou o dedo num barril com uma pasta amarela e experimentou; saltou até uma das máquinas e girou meia dúzia de botões para um lado e para o outro. Depois ficou olhando atentamente através da porta de vidro de um forno gigantesco, esfregando as mãos e sorrindo maravilhado. Então correu para uma outra máquina, uma engenhoca pequena e brilhante que fazia fut, fut, fut, fut — e cada vez que ela fazia fut expelia um pedaço de mármore verde num cesto que havia no chão. Pelo menos parecia mármore.


— Quebra-queixos perpétuos! — exclamou o Sr. Wonka, orgulhoso — São a última novidade! Estão sendo inventados para crianças que ganham mesada muito pequena. Esses quebra-queixos a gente chupa, chupa, chupa, chupa, e eles nunca diminuem!
— É como chiclete! — gritou Violeta Chataclete.
Não é como chiclete, não! — disse o Sr. Wonka — Chiclete é para mascar, e se você tentar mascar um destes quebra-queixos você quebra os dentes! E tem mais: eles nunca diminuem! Eles nunca somem! NUNCA! Pelo menos é o que eu acho! Um deles está sendo testado neste exato momento na Sala de Testes ao lado. Um umpa-lumpa está chupando o quebra-queixo há quase um ano, sem parar, e o quebra-queixo está melhor do que nunca!
— Agora por aqui — continuou o Sr. Wonka, saltitando até o outro lado da sala — Aqui, estou inventando uma nova linha completa de balas de caramelo!
Parou bem ao lado de uma pane-lona cheia de melaço grosso, viscoso, arroxeado, que fervia e borbulhava. Ficando na ponta do pé, o pequeno Charlie conseguia enxergar dentro da panela.
— Isso é Caramelo de Cabelo! — exclamou o Sr. Wonka — É só comer um pedacinho minúsculo que, depois de exatamente meia hora, um chumaço de cabelo novo em folha, denso e sedoso, começa a crescer no topo da cabeça da gente! E também crescem barba e bigode!
— Barba! — gritou Veroca Sal — Quem é que está querendo barba, por acaso?
— Ficaria muito bem em você! — disse o Sr. Wonka — Mas infelizmente a mistura ainda não deu bem certo. Está muito forte. Funciona bem demais. Ontem eu testei num umpa-lumpa na Sala de Testes e imediatamente uma barba grossa e preta começou a nascer no queixo dele, e a barba cresceu tão rápido que logo se esparramou pelo chão, formando um tapete felpudo. Crescia mais depressa do que conseguíamos cortar! Por fim, tivemos que usar um cortador de grama para conseguir controlá-la! Logo vou encontrar a solução para essa mistura, e então meninos e meninas não terão mais desculpas para andar por aí com a cabeça careca!
— Mas, Sr. Wonka — disse Miguel Tevel — nem meninos nem meninas andam por aí com...
— Não discuta, meu caro, não discuta! — exclamou o Sr. Wonka — É uma perda de tempo precioso! Agora subam por aqui, todos vocês, que eu vou mostrar uma coisa da qual tenho um orgulho imenso! Cuidado! Não toquem em nada! Mantenham distância!




continua...







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quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

A FANTÁSTICA FÁBRICA DE CHOCOLATE - capítulo 18





18
DESCENDO O RIO DE CHOCOLATE


— Lá vamos nós! — exclamou o Sr. Wonka — Depressa! Sigam-me até a próxima sala! E, por favor, não se preocupem com Augusto Glupe. Com toda a certeza ele vai ser expelido. Vamos continuar nossa visita de barco! Aí vem ele! Vejam!
Uma neblina de vapor se levantava do rio enorme e quente de chocolate e, do meio da neblina, surgiu de repente um fantástico barco cor-de-rosa. Era um imenso barco a remo com a proa e a popa altas (como os velhos barcos dos Vikings), tão brilhante que parecia feito de espelho cor-de-rosa. Tinha vários remos de ambos os lados e, à medida que o barco se aproximava, as pessoas que estavam na margem foram percebendo que os remadores eram umpa-lumpas — havia no mínimo dez em cada remo.
— Esse é meu iate particular! — exclamou o Sr. Wonka, sorrindo com prazer — Ele é esculpido em doce! Não é lindo? Vejam como vem deslizando pelo rio!
O incrível barco de doce cor-de-rosa deslizou até a margem do rio. Cem umpa-lumpas descansaram seus remos e fitaram os visitantes. Então, de repente, por alguma razão que só eles sabiam, começaram a rir com seu riso guinchado.
— Qual é a graça? — perguntou Violeta Chataclete.
— Não ligue para eles! — exclamou o Sr. Wonka — Estão sempre rindo! Acham tudo uma grande piada! Pulem todos para dentro do barco! Venham! Depressa!
Assim que todos se instalaram, os umpa-lumpas arrastaram o barco da margem e começaram a remar velozmente, rio abaixo.
— Ei, você aí! Miguel Tevel! — exclamou o Sr. Wonka — Por favor, pare de lamber o barco. Ele vai ficar todo melado!
— Papai — disse Veroca Sal — quero um barco igual a esse! Quero que você me compre um barco de doce cor-de-rosa igualzinho ao do Sr. Wonka. E também quero um monte de umpa-lumpas para remar, e quero um rio de chocolate, e quero... e quero...
— Ela quer uma palmada no bumbum — sussurrou Vovô José para Charlie.
O velhinho estava sentado na parte de trás do barco e o pequeno Charlie Bucket estava ao lado dele. Charlie segurava firme a mão velha e ossuda do avô. Ele estava tonto de tanta excitação. Tudo o que já tinha visto — o enorme rio de chocolate, a cachoeira, os grandes canos sugadores, os campos de açúcar mentolado, os umpa-lumpas, o maravilhoso barco cor-de-rosa e, principalmente, o próprio Sr. Willy Wonka — era tudo tão extraordinário que Charlie se perguntava se ainda haveria mais alguma coisa espantosa para ser vista. E agora? Para onde estavam indo? O que iriam ver? O que iria acontecer na próxima sala?
— Não é maravilhoso? — disse Vovô José, sorrindo para Charlie.
Charlie concordou e sorriu para Vovô José.
De repente, o Sr. Wonka, que estava sentado do outro lado de Charlie, pegou uma caneca no fundo do barco, mergulhou-a no rio, encheu-a de chocolate e ofereceu para Charlie.
— Beba — ele disse — Vai lhe fazer bem! Você parece morto de fome!
Depois o Sr. Wonka encheu mais uma caneca e deu para Vovô José.
— Você também — ele disse — Parece um esqueleto! Qual é o problema? Não tem tido o que comer em casa?
— Não muito — disse Vovô José.
Charlie levou a caneca até os lábios e um chocolate quentinho, cremoso, saboroso lhe desceu pela garganta, até sua barriga vazia. Todo o seu corpo, da cabeça aos pés, começou a tremer de prazer, e um sentimento de intensa satisfação tomou conta dele.
— Gostou? — perguntou o Sr. Wonka.
— Puxa, é maravilhoso! — disse Charlie.
— O chocolate mais delicioso e cremoso que já experimentei! — disse Vovô José, estalando os lábios.
— É porque foi misturado pela cachoeira — disse o Sr. Wonka.
O barco descia o rio. O rio foi ficando mais estreito. À frente deles havia uma espécie de túnel escuro — um túnel grande e redondo, que parecia um cano gigante — e o rio corria exatamente para dentro dele. E o barco também!
— Remem — gritava o Sr. Wonka, dando pulinhos e sacudindo a bengala no ar — Força total, em frente!
Com os umpa-lumpas remando mais rápido do que nunca, o barco entrou no túnel escuro como breu, e todos os passageiros gritaram agitados.
— Como eles conseguem enxergar para onde estão indo? — guinchou Violeta Chataclete, no escuro.
— Eles não sabem para onde estão indo! — exclamou o Sr. Wonka, dando risada.
Não dá para adivinhar Onde vão se enfiar Não dá pra imaginar Pra onde vão remar! Luz nenhuma pra orientar O perigo a aumentar Vão remando sem enxergar Sem saber onde parar Pra onde vão nos levar...
— Está balançando! — gritou um dos pais, horrorizado.
E os outros fizeram coro, gritando assustados:
— Ele é louco!
— Ele é doidão!
— É malucão!
— É beberrão!
— É piradão!
— É tontão!
— É caducão!
— É tolão!
— É patetão!
— É bobão!
— É loucão!
— É tortão!
— É birutão!
— É parvalhão!
— Não é não! — disse Vovô José.
— Acendam as luzes! — gritou o Sr. Wonka.
Imediatamente o túnel inteiro se iluminou e Charlie viu que, na verdade, estavam dentro de um cano gigantesco, e que o teto do cano era completamente branco, sem uma manchinha. O rio de chocolate corria veloz pelo cano, e os umpa-lumpas remavam como loucos, e o barco continuava embalado, numa velocidade furiosa. O Sr. Wonka ia lá atrás, pulando, e mandava os remadores remarem cada vez mais depressa. Ele parecia estar adorando a emoção da corrida ao longo do túnel branco, num barco cor-de-rosa, no rio de chocolate. Batia palmas, ria e olhava para os passageiros, para ver se estavam se divertindo tanto quanto ele.



— Olhe vovô! — gritou Charlie. — Uma porta na parede!
Era uma porta verde na parede do túnel, logo acima do nível do rio. Ao passarem voando por ela, só tiveram tempo para ler o que estava escrito: SALA DE ESTOQUE N° 54. TODOS OS CREMES, CREME DE LEITE, CREME CHANTILLY, CREME VIOLETTE, CREME DE CAFÉ, CREME DE ABACAXI, CREME DE BAUNILHA E CREME PARA CABELOS.
— Creme para cabelos? — exclamou Miguel Tevel — Não é possível que vocês usem creme para cabelos!
— Continuem remando! — gritou o Sr. Wonka — Não podemos perder tempo respondendo perguntas bobas!
Passaram voando por uma porta preta: SALA DE ESTOQUE Nº 71, estava escrito. SALA DOS CHICOTES — DE TODAS AS FORMAS E TAMANHOS.
— Chicotes! — gritou Veroca Sal — Para que vocês precisam de uma sala de chicotes?
— Para fazer creme batido, é óbvio — disse o Sr. Wonka — Não dá para fazer creme batido sem chicotes, assim como não dá para fazer ovos estrelados sem estrelas. Remem, por favor!
Passaram por uma porta amarela onde estava escrito: SALA DE ESTOQUE Nº 77 — SEMENTES DE TODOS OS TIPOS — SEMENTES DE CACAU, SEMENTES DE CAFÉ, SEMENTES DE GELÉIA E SEMENTES DE JÁ ERA.
Já era? — gritou Violeta Chataclete.
— Você mesma é uma já era! — disse o Sr. Wonka — Não temos tempo para discutir. Vamos em frente, em frente!
Cinco segundos depois, quando avistaram uma porta vermelha brilhante, o Sr. Wonka, balançando a bengala de castão de ouro, ordenou:
— Parem o barco!



 continua...







Frase Curiosa: Conjugando o verbo Facebook: Eu posto, Tu comentas, Ele curte, Nós compartilhamos, Vós publicais, Eles riem, Ninguém trabalha.
Frase CuriosaErrar é humano. Colocar a culpa em alguém é estratégico.